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Fim da escala 6x1 é promulgado: EC 141 confirma 5x2 e jornada de 42 horas a partir de dezembro

há 4 dias
6 min de leitura

Informações atualizadas em 19 de outubro de 2026. O tema está em andamento e pode sofrer alterações.

O Congresso Nacional promulgou na sexta-feira (16/10) a Emenda Constitucional nº 141 de 2026, que acaba com a escala 6x1 e institui a jornada de cinco dias de trabalho com dois de descanso (5x2) para todos os trabalhadores — conforme noticiou a Agência Brasil. A promulgação veio seis dias antes do previsto, em sessão solene com a participação dos presidentes do Senado e da Câmara e do presidente da República. Com a data oficial em mãos, o calendário da transição deixou de ser projeção e virou conta fechada — e o governo já sinalizou linhas de crédito e capacitação para as empresas que precisarem se adaptar.

Neste artigo, você confere o calendário confirmado, os detalhes da transição que afetam diretamente a folha de pagamento e as frentes de apoio anunciadas.


4 pessoas representando trabalhadores de diferentes áreas

O que foi promulgado

A EC 141/2026, originada da PEC 221/2019, concluiu sua tramitação na quarta (14/10), quando o Senado aprovou o texto em dois turnos, por 75 votos favoráveis a 1 contrário — como cobrimos neste artigo sobre a aprovação. Como o texto seguiu idêntico ao da Câmara, a promulgação foi feita diretamente pelo Congresso — sem necessidade de sanção presidencial — na sexta (16/10).

O texto determina a substituição da escala 6x1 pela jornada 5x2, garante dois dias de descanso remunerado por semana (com preferência pelo domingo), reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial e mantém o limite de oito horas diárias. O detalhamento completo do que muda está no artigo anterior — aqui, o foco é o que a promulgação concretizou.

Calendário confirmado: as datas que a empresa deve anotar

Com a promulgação em 16/10, os prazos da transição passam a correr a partir de data certa:

Marco

Prazo na emenda

Data projetada

Escala 5x2 + jornada de 42 horas semanais

Em até 60 dias da promulgação

Meados de dezembro de 2026 (~15/12/2026)

Jornada definitiva de 40 horas semanais

12 meses após a primeira fase

Dezembro de 2027

Terceirizados da administração pública

Regra diferenciada: até 12 meses para renegociar contratos

Outubro de 2027 — com ressalva

A BBC noticia que a nova regra entra em vigor em dezembro de 2026 — projeção aritmética sobre a promulgação de 16/10. Para os terceirizados do setor público, a Agência Brasil destaca que a nova jornada vale a partir da formalização do aditamento do contrato com o poder público — porém, os contratos aditados após os 60 dias iniciais já deverão observar a nova jornada.

O detalhe da transição que mexe com a folga semanal

Entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, o empregador deverá distribuir ao longo da semana as duas horas acima das oito diárias normais. Segundo o cálculo da Agência Brasil, se repartidas igualmente, o empregado trabalhará 8 horas e 24 minutos por dia nos cinco dias da semana até a chegada das 40 horas definitivas — para trabalhar além disso, vale hora extra.

6x1 sobrevive? A exceção do acordo coletivo

A emenda permite, excepcionalmente e mediante convenção ou acordo coletivo, regime compensatório com escala diferente da 5x2. Na prática, conforme a leitura da Agência Brasil: um trabalhador ainda pode ter escala 6x1 se prevista em acordo coletivo — desde que o dia trabalhado a mais seja compensado com folga dentro do mesmo mês-calendário, ele goze na média duas folgas remuneradas por semana e haja ao menos um dia de descanso a cada período máximo de sete dias.

Para quem cuida de departamento pessoal, é o ponto de atenção da transição: mapear os acordos coletivos da carteira que preveem 6x1 — levantaamento do Dieese citado pela imprensa aponta cerca de 2.400 cláusulas nesse sentido — e verificar se cada uma observa as condições da exceção (compensação no mês, média semanal de duas folgas, descanso a cada sete dias).

O apoio do governo: linhas de crédito e capacitação

Na sexta (16), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica estuda linhas de crédito e programas de capacitação para empresas que enfrentarem dificuldades com o fim da 6x1 — segundo noticiado pela Fenacon hoje (19/10). Os pontos da fala:

  • Financiamento específico para a transição, com investimentos em inovação e produtividade: "já temos uma previsão de ter linhas de crédito específicas para essa transição, tanto da reforma tributária quanto do fim da jornada 6x1";

  • Limite de crédito para pequenas empresas ampliado de R$ 250 mil para R$ 500 mil, inclusive para capital de giro;

  • Nenhuma desoneração da folha de pagamento anunciada por ora — o apoio se concentra em financiamento e capacitação;

  • O impacto por setor e porte ainda será avaliado: segundo dados citados pelo ministro, 68% a 70% dos empregos do país já estão fora da escala 6x1.

Mitigação para MEI e pequenas empresas já aprovada

Na mesma sessão de promulgação, o presidente da Câmara, Hugo Motta, confirmou que os impactos para micro e pequenos negócios serão mitigados pela aprovação do aumento do limite anual de faturamento dos MEIs — dos atuais R$ 80 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 — e pela permissão de contratação de até dois funcionários por MEI (um a mais que o atual), conforme a Agência Brasil. Segundo a Fenacon, o texto foi aprovado na Câmara em 15/10 e no Senado em 16/10. A própria EC 141 prevê ainda que uma lei complementar poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação para MEI, microempresas e empresas de pequeno porte — regulamentação a acompanhar.

O que as empresas devem fazer agora com o fim da escala 6x1

Com o calendário fechado, a agenda da transição para os próximos 60 dias:

  1. Mapear as escalas 6x1 atuais da carteira — contratos diretos e cobertos por acordo coletivo;

  2. Revisar as cláusulas coletivas de jornada e validar as condições da exceção (compensação no mês, média de duas folgas, descanso a cada sete dias);

  3. Simular as duas fases de custo de folha — 42 horas com distribuição das 8h24min diárias e, depois, 40 horas definitivas;

  4. Ajustar o controle de jornada nos sistemas de folha para os novos tetos antes de dezembro;

  5. Avaliar as linhas de crédito e capacitação sinalizadas pelo governo para custear a reorganização de escalas e processos.

Perguntas frequentes sobre a EC 141

Quando o fim da escala 6x1 começa a valer? A escala 5x2 e a jornada de 42 horas passam a valer em até 60 dias da promulgação (16/10) — ou seja, meados de dezembro de 2026. As 40 horas definitivas chegam 12 meses depois, em dezembro de 2027.

Ainda é possível ter escala 6x1? Apenas excepcionalmente, por convenção ou acordo coletivo, com compensação no mesmo mês, média de duas folgas remuneradas por semana e pelo menos um dia de descanso a cada sete dias.

O que muda para MEI e pequenas empresas? Foi aprovado o aumento do limite de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além da permissão de contratação de até dois funcionários. Uma lei complementar futura poderá criar medidas transitórias adicionais para MEI, ME e EPP.

Haverá compensação ao empregador, como desoneração da folha? Nada foi anunciado. O governo sinalizou linhas de crédito e capacitação — e ampliou o limite de crédito para pequenas empresas de R$ 250 mil para R$ 500 mil.

O que acompanhar a partir de agora

Os próximos marcos do tema: a sanção/ética do PL do limite do MEI, a lei complementar com as medidas transitórias para ME e EPP, os acordos coletivos que redefinirão escalas nos próximos meses e o desenho definitivo das linhas de crédito anunciadas. Este artigo será atualizado conforme esses desdobramentos avançarem.

Fontes

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